Muitas pessoas acreditam que, depois dos 80 anos, a vida deve ser mais parada, sem muitos compromissos ou atividades. Eu penso exatamente o contrário. Acredito que manter uma rotina, com pequenos hábitos e atividades que nos dão prazer, é uma das maiores riquezas que podemos cultivar nesta fase da vida.
Ter uma rotina não significa viver de forma rígida ou sem liberdade. Significa, na verdade, ter motivos para levantar da cama, cuidar de si, aprender, conviver e continuar participando da vida com alegria e entusiasmo.
Hoje, aos 85 anos, percebo o quanto minhas atividades semanais contribuem para o meu bem-estar físico, mental e emocional. Elas me dão segurança, organização e, principalmente, a sensação de que continuo aprendendo e vivendo intensamente.
Faço aulas de yoga, que me ajudam a manter o equilíbrio, a flexibilidade e a tranquilidade. Também estudo inglês e participo de aulas de tecnologia, porque acredito que nunca é tarde para aprender algo novo. E ainda encontro tempo para o crochê, uma atividade que me traz paz e satisfação.
Gosto de ajudar na cozinha e participar do preparo das refeições. Caminhar também faz parte da minha rotina, pois sei como o movimento é importante para manter a saúde e a disposição.
Outro hábito que adoro é telefonar para minhas amigas. Conversamos, colocamos as novidades e as fofocas em dia, damos risadas e compartilhamos nossas preocupações e alegrias. Essas conversas aquecem o coração e fortalecem amizades construídas ao longo da vida.
Também acompanho com entusiasmo os jogos da Copa, assistindo e torcendo com muita emoção. Afinal, não existe idade para vibrar, torcer e se divertir.
Procuro cuidar da minha saúde fazendo check-ups regulares, fisioterapia e todos os cuidados necessários. Aprendi que envelhecer bem exige atenção, responsabilidade e amor-próprio.
Em casa, gosto muito de cuidar do jardim e das minhas plantinhas. Observar as flores, acompanhar o crescimento das plantas e dedicar tempo a elas me traz uma sensação de paz e gratidão.
Outra alegria do meu dia é observar os passarinhos. Gosto de vê-los felizes, cantando e voando livremente. Eles me lembram que a vida continua bela, mesmo nas coisas mais simples.
E, é claro, não posso deixar de falar do meu querido gatinho Demitres. Ele é meu companheiro de todos os dias. Cuidar dele, receber seu carinho e vê-lo deitadinho ao meu lado no sofá é um dos maiores presentes que a vida me deu nos últimos anos.
Talvez o segredo para envelhecer com mais serenidade esteja justamente nisso: manter uma rotina que faça sentido para nós, com atividades que alimentem o corpo, a mente e o coração.
Depois dos 80 anos, cada dia continua sendo uma oportunidade de aprender, amar, cuidar, sorrir e agradecer. E eu sou profundamente grata por ainda poder viver tudo isso.
Jandira
Imagem: Magnific
