sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O que você ainda gostaria de fazer?



Há uma pergunta que, de vez em quando, deveríamos fazer a nós mesmas:

O que eu ainda gostaria de fazer?

Quando somos jovens, estamos sempre fazendo planos. Pensamos no trabalho, na família, nas viagens, nos projetos e em tudo aquilo que ainda queremos conquistar.

Mas, com o passar dos anos, será que deixamos de fazer planos?

Eu acredito que não.

A idade pode mudar algumas coisas em nossa vida, mas não precisa levar embora nossa curiosidade, nossos desejos e nossa vontade de viver.

Aos 86 anos, ainda encontro muitas coisas que gostaria de fazer. Quero continuar aprendendo, passeando, cuidando da minha casa, fazendo meus trabalhos manuais, encontrando minhas amigas e aproveitando cada oportunidade de estar com minha família.

E existe um sonho que guardo com um carinho muito especial: quero conhecer o lugar em Portugal onde meus pais nasceram e viveram durante muitos anos, antes de virem para o Brasil.

Tenho vontade de caminhar por aquelas ruas, conhecer aquela terra e imaginar como era a vida deles antes de atravessarem o oceano para construir uma nova história aqui.

Talvez eu não encontre exatamente aquilo que imagino. Afinal, o tempo transforma os lugares. Mas acredito que seria emocionante estar ali e pensar: “Foi daqui que meus pais partiram. Foi aqui que começou uma parte da minha história.”

Esse desejo me faz pensar que nossos sonhos nem sempre são apenas sobre o futuro. Alguns também nos levam ao passado, às nossas raízes e às pessoas que fizeram parte da nossa história.

E talvez essa seja uma das coisas bonitas de envelhecer: começamos a compreender que a nossa vida é feita de muitos capítulos. Alguns já foram escritos, mas ainda existem páginas em branco.

Talvez um grande sonho seja fazer uma viagem. Para outra pessoa, pode ser aprender algo novo, reencontrar uma amiga, conhecer um lugar ou começar uma atividade.

Às vezes, o que desejamos é ainda mais simples: tomar um café olhando o jardim, assistir ao pôr do sol, fazer aquele passeio que estamos adiando ou ter uma boa conversa com alguém querido.

O importante é não acreditar que, porque chegamos a uma determinada idade, já não podemos desejar coisas novas.

Quem disse que a vida precisa parar de trazer novidades depois dos 80?

Talvez ainda existam lugares para conhecer, pessoas para encontrar, histórias para viver e lembranças para construir.

Porque sonhar não tem idade.

E talvez uma das maiores alegrias de envelhecer seja perceber que ainda temos tempo para viver coisas que nunca imaginamos.

A vida não termina quando completamos 60, 70, 80 ou 86 anos.

Enquanto houver vontade no coração, sempre haverá espaço para um novo começo.


Jandira


Imagem: Magnific

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Não espere ser lembrada. Faça-se presente



Com o passar dos anos, podemos cair na armadilha de esperar que os outros nos procurem. Esperamos um telefonema, uma visita, um convite para um café ou uma mensagem perguntando como estamos.

Mas será que precisamos sempre esperar?

Talvez uma das coisas mais bonitas que podemos aprender com a idade seja tomar a iniciativa. Se sentimos saudade de uma amiga, por que não telefonar? Se queremos conversar, por que não convidá-la para um café? Se temos vontade de passear, por que não combinar um passeio?

Fazer-se presente não significa insistir onde não somos bem recebidas. Significa cuidar das relações que têm carinho, reciprocidade e significado para nós.

Às vezes, uma simples mensagem - “Pensei em você hoje” - pode transformar o dia de alguém.

Tenho percebido que a vida fica muito mais bonita quando deixamos de esperar que as pessoas adivinhem o que sentimos. Se gostamos, demonstramos. Se sentimos saudade, procuramos. Se queremos estar perto, nos aproximamos.

Aos 86 anos, acredito cada vez mais que não devemos colocar nossa felicidade somente nas mãos dos outros. Também podemos participar ativamente da construção dos nossos momentos felizes.

Uma ligação pode virar uma conversa de uma hora. Um convite pode virar um almoço. Um passeio pode se transformar em uma lembrança querida. E uma amizade cuidada com carinho pode nos acompanhar por muitos anos.

Por isso, hoje quero deixar uma pergunta para minhas amigas:

De quem você está sentindo saudade?

Talvez hoje seja um bom dia para pegar o telefone e fazer aquela ligação.

Não espere apenas ser lembrada.

Faça-se presente na vida de quem você ama. Porque carinho também precisa de iniciativa, e nunca é tarde para dar o primeiro passo. ❤️

Jandira


Imagem: Magnific

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Um Dia dos Pais vivido com o coração



No domingo passado, tive o privilégio de passar o Dia dos Pais ao lado dos meus filhos e dos meus netos, na casa de um deles.

Aos 86 anos, aprendi a olhar para momentos assim com ainda mais gratidão. Não é apenas um almoço em família ou uma reunião de domingo. É a oportunidade de estar perto de quem amo, de conversar, sorrir, abraçar e simplesmente aproveitar a presença uns dos outros.

Tenho a felicidade de ter filhos que são verdadeiros pais, presentes e amorosos. E, através deles, recebi também o presente de ter netos maravilhosos, que tornam a minha vida ainda mais especial.

Foi um dia simples, mas cheio de significado. A casa estava cheia de carinho, as conversas foram agradáveis e, por alguns momentos, tive aquela sensação maravilhosa de que nada mais importava além de estarmos juntos.

Hoje penso que envelhecer também é aprender a reconhecer os privilégios que a vida nos oferece. E um dos maiores privilégios que tenho é poder, aos 86 anos, sentar-me à mesa com minha família e sentir o amor que nos une.

Guardo esse domingo no coração como uma lembrança muito querida.

Porque, quando existe amor na família, um dia comum pode se transformar em um dia inesquecível.

E naquele domingo, eu tive a certeza de que meu coração estava exatamente onde deveria estar: junto dos meus filhos e dos meus netos. ❤️

Jandira


Imagem: Magnific