sexta-feira, 10 de abril de 2026

Aprender a pedir ajuda também é força



Durante muito tempo da minha vida, eu acreditei que ser forte era dar conta de tudo sozinha.

Eu fui daquelas pessoas que resolviam, organizavam, cuidavam, ajudavam… e quase nunca pediam ajuda. Achava que isso era sinal de independência, de coragem, de capacidade. E, de certa forma, era mesmo.

Mas com o passar dos anos, e com a maturidade que a vida nos traz, comecei a entender que existe uma outra forma de força. Uma força mais silenciosa, mais humilde… e, talvez, até mais bonita.

A força de reconhecer que não precisamos carregar tudo sozinhos.

Aprender a pedir ajuda não é fácil. Para muitos de nós, especialmente da nossa geração, isso pode até parecer desconfortável. Dá a sensação de estar incomodando, de estar sendo frágil, de perder um pouco da autonomia que sempre valorizamos tanto.

Mas hoje eu vejo diferente.

Pedir ajuda é um ato de confiança. É abrir espaço para o outro participar da nossa vida. É permitir que o carinho chegue até nós de outras formas.

E, mais do que isso, é um gesto de sabedoria.

Porque a vida não foi feita para ser vivida sozinha. Em cada fase dela, precisamos uns dos outros, seja para resolver algo prático, para tomar uma decisão, ou simplesmente para ter alguém ao nosso lado nos ouvindo.

Eu continuo valorizando muito a minha independência. Gosto de fazer minhas coisas, de me sentir ativa, presente, capaz. Mas aprendi que aceitar ajuda, quando necessário, não diminui quem eu sou.

Pelo contrário… me humaniza.

Hoje, quando peço ajuda, não me sinto mais fraca. Me sinto consciente. Me sinto conectada. Me sinto parte.

E talvez seja isso que a vida queira nos ensinar com o passar do tempo: que a verdadeira força não está em nunca precisar de ninguém… mas em saber que podemos contar com alguém quando precisamos.

Jandira


Imagem: Freepik

sexta-feira, 27 de março de 2026

Tomar vacina é um ato de amor



Hoje eu fui tomar uma vacina. Pode parecer algo simples, rotineiro, mas, para mim, foi um gesto cheio de significado.

Saí de casa pensando em como, com o passar dos anos, cuidar da nossa saúde deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser um verdadeiro ato de amor, amor pela vida, amor por quem somos e por tudo o que ainda queremos viver.

Tenho 85 anos. Já vivi muita coisa, já enfrentei desafios, já superei momentos difíceis. E, talvez por isso mesmo, aprendi que não podemos brincar com a nossa saúde.

A vacina que tomei foi contra herpes, uma doença que pode parecer pequena para alguns, mas que pode causar dor, desconforto e complicações, especialmente em pessoas da nossa idade.

E foi aí que me veio um pensamento importante: quantas pessoas, não só idosas, mas também mais jovens, acabam deixando de lado algo tão essencial como a vacinação?

Seja por medo, descuido, falta de informação… ou até por achar que “não vai acontecer comigo”. Mas pode acontecer.

E, quando acontece, muitas vezes poderia ter sido evitado com um gesto simples, rápido e seguro. Eu faço a minha parte.

Tomo minhas vacinas, faço meus exames, procuro me cuidar. Não por medo, mas por respeito à vida que tenho.

Cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é um sinal de consciência, de maturidade e de amor próprio.

Hoje, mais do que nunca, acredito que envelhecer com qualidade depende das pequenas escolhas que fazemos todos os dias. E tomar uma vacina é uma dessas escolhas.

Por isso, deixo aqui um convite, não só para quem tem a minha idade, mas para todos: Se cuidem, procurem se informar, mantenham suas vacinas em dia.

Porque viver bem não é apenas chegar aos 85 anos. É chegar bem, com autonomia, com dignidade e com vontade de continuar vivendo.

E eu sigo aqui, fazendo a minha parte.

Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 20 de março de 2026

Amor próprio também é fazer check-up



Com o passar dos anos, a gente aprende muitas coisas. Aprende a ter paciência, a valorizar o tempo, a entender melhor as pessoas… mas existe uma lição que, muitas vezes, acaba ficando de lado: o cuidado com a nossa própria saúde.

Eu tenho pensado muito sobre isso.

Depois de uma certa idade, não dá mais para viver no “depois eu vejo”, “não é nada”, ou “isso passa sozinho”. O nosso corpo começa a dar sinais mais sutis, mais silenciosos… e, se a gente não presta atenção, vai adoecendo aos poucos, quase sem perceber.

O check-up de saúde é, para mim, um gesto de amor próprio. Não é apenas ir ao médico por obrigação, mas sim escolher cuidar de si, escolher continuar bem, ativa e independente. É olhar para a própria vida e dizer: “eu quero continuar aqui, com qualidade, com dignidade, com alegria”.

Muitas pessoas têm medo de exames, medo de descobrir alguma coisa. Eu entendo esse sentimento. Mas, com o tempo, percebi que saber é sempre melhor do que não saber. Quando a gente descobre cedo, as chances de cuidar, tratar e viver bem são muito maiores.

Não podemos esquecer que o envelhecimento não precisa ser sinônimo de sofrimento. Podemos envelhecer com consciência, com responsabilidade e, principalmente, com carinho por nós mesmas.

Cuidar da saúde é também cuidar da nossa autonomia. É garantir que continuemos fazendo nossas escolhas, vivendo nossos dias com liberdade, mantendo nossa rotina, nossos passeios, nossas conversas.

Hoje, eu vejo o check-up não como um peso, mas como um aliado. Um companheiro silencioso que me ajuda a seguir em frente com mais segurança.

Porque, no fundo, se tem algo que a vida me ensinou, é que se cuidar nunca é um exagero. É uma necessidade. É um compromisso com a nossa própria história.

Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 13 de março de 2026

A alegria de envelhecer com autonomia



Chegar à terceira idade é um privilégio. Nem todos têm a oportunidade de atravessar tantos anos, acumular experiências, histórias e aprendizados. E, quando chegamos a essa fase da vida com autonomia, percebemos ainda mais o valor das pequenas conquistas do dia a dia.

Autonomia não significa fazer tudo sozinho o tempo todo. Significa, principalmente, ter liberdade para decidir sobre a própria vida. É poder sair para resolver uma coisa na rua, marcar um exame, conversar com amigos, usar o telefone ou o computador, organizar a própria rotina. São atitudes simples que, quando conseguimos manter, trazem uma grande sensação de dignidade e alegria.

Eu percebo que cada pequena independência tem um valor enorme. Conseguir resolver algo por conta própria, aprender uma tecnologia nova, fazer uma compra, preparar uma refeição ou até escrever um texto para o blog são sinais de que continuamos ativos, presentes e participando do mundo.

A autonomia também fortalece a autoestima. Quando sentimos que ainda somos capazes de conduzir nossa própria vida, o coração fica mais leve. Não nos sentimos um peso para ninguém, mas sim pessoas que ainda têm muito a oferecer, muito a viver e muito a compartilhar.

Claro que, com o passar dos anos, algumas coisas ficam mais difíceis. O corpo muda, o ritmo desacelera. Mas isso não significa perder o valor ou a capacidade de decidir. Pelo contrário. A maturidade nos dá sabedoria para escolher melhor o que realmente importa.

Manter a autonomia na terceira idade também é um estímulo para continuar aprendendo. Eu mesma tenho descoberto que sempre é tempo de aprender algo novo. Uma tecnologia, uma atividade, uma forma diferente de se comunicar. Cada aprendizado nos mantém vivos por dentro.

Envelhecer com autonomia é, acima de tudo, continuar sendo dono da própria história. É olhar para a vida e perceber que ainda temos caminhos, escolhas e sonhos.

E isso, para mim, é uma das maiores alegrias de chegar à terceira idade.

Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 6 de março de 2026

Nunca é tarde para aprender um novo idioma



Ultimamente tenho vivido uma experiência muito especial: comecei a aprender inglês. Confesso que, no começo, senti um certo frio na barriga. Afinal, tenho 85 anos e pensei comigo mesma: “Será que ainda consigo aprender uma língua nova?”

Mas resolvi tentar. E foi uma das melhores decisões que tomei.

Aprender um novo idioma é como abrir uma janela dentro da nossa cabeça. A gente começa a exercitar a memória, prestar mais atenção aos sons, às palavras e aos significados. O cérebro trabalha, se movimenta, cria novos caminhos. É quase como uma ginástica para a mente.

Nas minhas aulas, percebo que cada palavra nova que aprendo me dá uma alegria enorme. Às vezes é apenas uma expressão simples, mas já me sinto vitoriosa. E o mais bonito é perceber que a nossa mente continua capaz de aprender, não importa a idade.

Muitas pessoas acreditam que, quando ficamos mais velhos, devemos parar de estudar coisas novas. Eu penso exatamente o contrário. Aprender mantém a curiosidade viva. E a curiosidade é uma chama importante dentro de nós.

Além disso, estudar uma língua estrangeira nos conecta com o mundo. Hoje, com a internet, podemos ouvir músicas, ver vídeos, ler textos e conversar com pessoas de outros lugares. É como se o mundo ficasse um pouco mais perto.

Claro que não é uma corrida. Cada pessoa tem seu ritmo. Eu mesma aprendo devagar, com calma, repetindo várias vezes. Mas isso faz parte do processo e não diminui a alegria de aprender.

Se eu pudesse dar um conselho para outras pessoas da minha idade, diria: não tenham medo de aprender algo novo. Pode ser um idioma, um instrumento musical, uma pintura ou até mexer melhor na tecnologia.

O importante é manter a mente aberta e o coração curioso.

Porque aprender, em qualquer idade, é uma forma bonita de continuar vivendo.


Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Quando a Internet Cai, a Solidão Aumenta



Esta semana eu fiquei ansiosa.

O sinal da internet caiu várias vezes. Ia e voltava. Voltava e caía de novo.

Pode parecer exagero para alguns, mas para mim não foi.

Eu senti um aperto, uma inquietação. Uma sensação de impotência.

Percebi o quanto a internet se tornou essencial na minha vida, na vida do idoso, principalmente para aquele que vive sozinho.

Antigamente, quando o telefone fixo não funcionava, a gente ainda podia esperar o carteiro, conversar com o vizinho no portão, resolver as coisas pessoalmente. Hoje, quase tudo depende de conexão.

É pela internet que converso com meus filhos e netos.
É por ela que marco exames médicos, vejo meus e-mails, pago contas, leio notícias faço minhas aulas de tecnologia, inglês e crochê e faço meu blog.

Sem internet, parece que o mundo continua girando… mas nós ficamos parados.

A vida murcha um pouco.

Não é apenas tecnologia. É vínculo. É autonomia. É independência.

Para quem vive só, a internet não é luxo, é companhia. É segurança. É presença.

Quando ela falha, não é apenas o sinal que cai. Cai também aquela sensação de estar conectado ao mundo.

Percebi que precisamos da internet, sim. Mas também precisamos aprender a lidar emocionalmente com essas pequenas “quedas” da vida moderna. Respirar fundo. Ter um plano B. Manter um livro à mão. Ter o telefone de alguém anotado no papel.

A tecnologia nos fortalece, mas nossa força não pode depender apenas dela.

Essa semana eu aprendi isso.

A internet voltou, e junto com ela, voltou a tranquilidade.

Mas ficou a reflexão: o idoso de hoje está conectado. Percebi que essa conexão é parte da nossa dignidade, da nossa autonomia e da nossa forma de existir no mundo atual.


Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Depois do Carnaval, o ano começa?



Todos os anos eu escuto a mesma frase:

“Ah, agora o ano começa de verdade.”

E essa frase sempre vem logo depois do Carnaval.

No Brasil, parece que janeiro é um mês de aquecimento. Fevereiro passa no ritmo da folia. E só depois dos confetes e serpentinas é que escolas, empresas, projetos e decisões começam a caminhar com mais firmeza. É como se o país inteiro respirasse fundo antes de realmente dar o primeiro passo.

Eu confesso que acho isso curioso.

Ele movimenta cidades, famílias e memórias. Para muitos, é um momento de descanso. Para outros, de celebração intensa. E há também quem aproveite esses dias apenas para ficar em casa, em silêncio, esperando a rotina voltar.

Mas será que precisamos mesmo esperar o Carnaval passar para começar algo novo?

Ao longo da vida, aprendi que recomeços não dependem do calendário. Não precisam de autorização coletiva. Eles nascem dentro da gente.

É claro que a organização da sociedade segue um ritmo. Escolas retomam atividades, empresas planejam metas, compromissos se alinham. Isso faz parte da estrutura do mundo em que vivemos. Mas os nossos sonhos… esses não precisam esperar o fim da festa.

Na terceira idade, então, essa reflexão se torna ainda mais importante. Quantas vezes já ouvimos: “Agora já não é mais tempo”? E eu pergunto: não é mais tempo para quem?

Se há algo que a maturidade me ensinou é que todo dia é um bom dia para começar. Pode ser começar um curso, um hobby, uma amizade, uma mudança pequena na rotina. Pode ser começar a cuidar melhor da saúde ou simplesmente começar a pensar mais em si mesma.

O ano não começa depois do Carnaval.
Ele começa quando a gente decide acordar por dentro.

Se para alguns a folia é o marco de um novo ciclo, tudo bem. Cada um encontra seus próprios símbolos. Mas eu gosto de pensar que a vida não espera datas oficiais. Ela acontece no instante em que a gente escolhe agir.

E talvez o verdadeiro começo não esteja no calendário…
mas na coragem silenciosa de dar o primeiro passo.

Jandira

Imagem: Freepik