Outro dia me peguei lembrando de coisas simples e, ao mesmo tempo, tão preciosas.
Não eram grandes acontecimentos, nem momentos extraordinários. Eram pequenos pedaços da vida que, de alguma forma, ficaram guardados dentro de mim com um carinho especial.
Um cheiro de comida vindo da cozinha, uma risada compartilhada sem pressa, uma conversa que parecia não ter importância, mas que hoje mora no coração.
Percebi que são essas memórias que nos aquecem nos dias mais silenciosos.
Com o passar dos anos, a gente entende que a vida não é feita só dos grandes marcos, das conquistas ou dos momentos que todo mundo vê. Muitas vezes, o que realmente importa são aqueles instantes quase invisíveis, que só a gente sente.
E como eles fazem falta, mas, ao mesmo tempo, como eles continuam vivos dentro de nós.
Eu gosto de pensar que as memórias são como pequenas luzes que carregamos por dentro. Quando o dia está mais difícil, quando bate uma saudade ou até uma solidão, basta fechar os olhos por um instante, e elas começam a brilhar.
Elas não voltam como antes, é verdade. O tempo segue seu caminho. Mas o sentimento, esse permanece.
E talvez seja esse o grande presente da vida: poder guardar dentro de nós tudo aquilo que nos fez bem.
Hoje, eu valorizo muito mais essas lembranças. Cuido delas com carinho, como quem cuida de algo precioso. Porque sei que, em muitos momentos, são elas que me dão força, que me fazem sorrir sozinha, que me lembram de quem eu sou.
E no fundo, acredito que enquanto tivermos memórias que aquecem o coração, nunca estaremos verdadeiramente sozinhos.
Jandira
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