Há uma pergunta que, de vez em quando, deveríamos fazer a nós mesmas:
O que eu ainda gostaria de fazer?
Quando somos jovens, estamos sempre fazendo planos. Pensamos no trabalho, na família, nas viagens, nos projetos e em tudo aquilo que ainda queremos conquistar.
Mas, com o passar dos anos, será que deixamos de fazer planos?
Eu acredito que não.
A idade pode mudar algumas coisas em nossa vida, mas não precisa levar embora nossa curiosidade, nossos desejos e nossa vontade de viver.
Aos 86 anos, ainda encontro muitas coisas que gostaria de fazer. Quero continuar aprendendo, passeando, cuidando da minha casa, fazendo meus trabalhos manuais, encontrando minhas amigas e aproveitando cada oportunidade de estar com minha família.
E existe um sonho que guardo com um carinho muito especial: quero conhecer o lugar em Portugal onde meus pais nasceram e viveram durante muitos anos, antes de virem para o Brasil.
Tenho vontade de caminhar por aquelas ruas, conhecer aquela terra e imaginar como era a vida deles antes de atravessarem o oceano para construir uma nova história aqui.
Talvez eu não encontre exatamente aquilo que imagino. Afinal, o tempo transforma os lugares. Mas acredito que seria emocionante estar ali e pensar: “Foi daqui que meus pais partiram. Foi aqui que começou uma parte da minha história.”
Esse desejo me faz pensar que nossos sonhos nem sempre são apenas sobre o futuro. Alguns também nos levam ao passado, às nossas raízes e às pessoas que fizeram parte da nossa história.
E talvez essa seja uma das coisas bonitas de envelhecer: começamos a compreender que a nossa vida é feita de muitos capítulos. Alguns já foram escritos, mas ainda existem páginas em branco.
Talvez um grande sonho seja fazer uma viagem. Para outra pessoa, pode ser aprender algo novo, reencontrar uma amiga, conhecer um lugar ou começar uma atividade.
Às vezes, o que desejamos é ainda mais simples: tomar um café olhando o jardim, assistir ao pôr do sol, fazer aquele passeio que estamos adiando ou ter uma boa conversa com alguém querido.
O importante é não acreditar que, porque chegamos a uma determinada idade, já não podemos desejar coisas novas.
Quem disse que a vida precisa parar de trazer novidades depois dos 80?
Talvez ainda existam lugares para conhecer, pessoas para encontrar, histórias para viver e lembranças para construir.
Porque sonhar não tem idade.
E talvez uma das maiores alegrias de envelhecer seja perceber que ainda temos tempo para viver coisas que nunca imaginamos.
A vida não termina quando completamos 60, 70, 80 ou 86 anos.
Enquanto houver vontade no coração, sempre haverá espaço para um novo começo.
Jandira
Imagem: Magnific






