Durante grande parte da vida, muitas mulheres têm uma missão silenciosa: cuidar.
Cuidamos dos filhos quando são pequenos, acompanhamos seu crescimento, nos preocupamos com seus problemas e torcemos por suas conquistas. Cuidamos da casa, ajudamos a família, acolhemos as amigas e, muitas vezes, colocamos nossas próprias necessidades em segundo plano.
Quantas vezes deixamos de descansar porque alguém precisava de nós? Quantas vezes escondemos uma preocupação para não preocupar nossos filhos? Quantas vezes dissemos “está tudo bem”, mesmo quando também gostaríamos que alguém perguntasse como estávamos de verdade?
Fazemos tudo isso porque amamos. Mas existe uma pergunta que merece ser feita: quem cuida de quem sempre cuidou de todos?
Com o passar dos anos, nossas necessidades também mudam. Podemos precisar de ajuda em algumas tarefas, de companhia em determinados momentos ou simplesmente de alguém disposto a nos ouvir sem pressa.
E não há vergonha alguma nisso.
Durante muito tempo, fomos nós que oferecemos o colo, o conselho e a palavra de conforto. Talvez agora precisemos aprender que também podemos receber tudo isso.
Às vezes, uma ligação faz diferença. Uma visita inesperada alegra o dia. Um convite para almoçar, um abraço demorado ou uma pergunta sincera: “Você está bem? Precisa de alguma coisa?”, podem nos fazer sentir acolhidas e lembradas.
É verdade que nossos filhos e netos têm suas próprias responsabilidades, seus compromissos e suas preocupações. Nem sempre conseguem estar presentes como gostaríamos. E a ausência em um determinado dia não significa, necessariamente, falta de amor.
Mas o carinho precisa encontrar maneiras de se manifestar. E todos nós, em qualquer idade, precisamos de vínculos, atenção e afeto.
Também precisamos aprender a falar sobre nossas necessidades. Não é preciso esperar que as pessoas adivinhem o que sentimos. Podemos dizer que estamos com saudade, pedir companhia para um passeio ou convidar alguém para tomar um café.
Ser forte não significa precisar de ninguém. E aceitar ajuda não diminui o nosso valor.
Aos 86 anos, penso que existe uma beleza especial em reconhecer que a vida é feita de trocas. Hoje podemos cuidar de alguém; amanhã, podemos precisar desse cuidado. E, muitas vezes, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo.
Por isso, quero deixar uma mensagem às minhas amigas: não se esqueçam de vocês mesmas.
Continuem cuidando de quem amam, mas reservem um espaço para seus próprios desejos, suas amizades, seus passeios e suas pequenas alegrias. Permitam-se descansar. Peçam ajuda quando precisarem. Aceitem um abraço sem sentir que precisam retribuí-lo imediatamente com algum favor.
E, se vocês conhecem uma mulher que passou a vida inteira cuidando de todos, procurem saber como ela está. Talvez ela não peça nada, mas fique muito feliz ao perceber que alguém também pensou nela.
No fundo, cuidar não deveria ser uma tarefa de uma pessoa só. O carinho fica mais bonito quando circula, quando é oferecido e também recebido.
Porque quem passou a vida inteira sendo abrigo para os outros também merece encontrar um lugar onde possa descansar o coração.
E nunca devemos nos esquecer: em qualquer idade, continuamos merecendo atenção, ternura, companhia e amor.
Jandira
Imagem: Magnific






