Alguns dias a casa fica em silêncio.
Não é um silêncio vazio, é um silêncio que chega devagar, se espalha pelos cômodos e parece querer dizer alguma coisa.
No começo, confesso que esse silêncio me incomodava. Eu sentia falta de barulhos, de vozes, de movimento. Parecia que algo estava faltando como se a vida tivesse diminuído o ritmo sem me avisar.
Mas, com o tempo, comecei a perceber que o silêncio também fala.
Ele fala das pausas que a vida nos oferece. Fala da necessidade de descansar não só o corpo, mas também os pensamentos. Fala de um tempo que agora é mais meu, mais interno, mais cheio de significados que antes passavam despercebidos.
No silêncio, comecei a me escutar mais.
Escutar minhas lembranças, meus sentimentos, minhas vontades. Coisas que, no meio da correria de outros tempos, eu nem tinha tempo de perceber.
É curioso como, quando tudo se aquieta do lado de fora, algo começa a se movimentar dentro da gente.
Hoje, eu já não fujo mais desses momentos. Aprendi a acolher o silêncio como um companheiro. Às vezes ele traz saudade, é verdade. Traz lembranças de vozes queridas, de risadas que já ecoaram pela casa.
Mas também traz paz.
Uma paz que não faz barulho, mas que conforta.
Uma paz que ensina que estar só não é o mesmo que estar vazio.
E talvez seja isso que o silêncio quer nos dizer: que a vida não precisa ser sempre cheia de sons para ter sentido. Às vezes, é justamente na quietude que encontramos as respostas que tanto procuramos.
Hoje, quando a casa silencia, eu respiro fundo, e escuto.
Porque aprendi que, no fundo, o silêncio também fala e, quando a gente aprende a ouvir, ele tem muito a nos dizer.
Jandira
Imagem: Freepik





