Durante muito tempo, eu mesma ouvi que envelhecer era sinônimo de perda. Perda do vigor, da autonomia, do espaço na sociedade. Com o passar dos anos, porém, fui compreendendo que essa visão é limitada e injusta. Envelhecer não é se despedir da vida, é atravessar um processo contínuo de transformação.
O corpo, naturalmente, muda. Ele já não responde da mesma forma e passa a exigir mais cuidado e atenção. Aprendi que isso não significa fraqueza, mas adaptação. Passei a respeitar meus limites, a ouvir os sinais do corpo e a entender que desacelerar também é uma forma de seguir em frente.
A mente também se transforma com o tempo. A experiência me trouxe mais clareza e discernimento. Hoje faço escolhas com mais consciência e menos ansiedade. Aprendi a não me envolver em conflitos desnecessários e a valorizar o que realmente acrescenta qualidade à minha vida. A maturidade ensina que nem tudo precisa de resposta e que a paz é, muitas vezes, a melhor decisão.
No aspecto emocional, percebo mudanças profundas e positivas. O coração se torna mais sensível e, ao mesmo tempo, mais seletivo. Dou mais valor às relações verdadeiras, às conversas sinceras e à presença genuína. As pequenas alegrias ganharam um significado especial, e aprendi que afeto não se mede pela quantidade, mas pela profundidade.
Com o passar dos anos, também compreendi que os sonhos não desaparecem, apenas se transformam. Alguns ficam para trás, outros surgem, e há aqueles que ganham novos sentidos. Hoje, meus desejos estão mais alinhados com o que me faz bem e com o que me traz serenidade.
Por isso, afirmo com convicção: envelhecer não é se despedir da vida. É vivê-la de uma forma diferente, com mais consciência, mais respeito por si mesma e mais verdade. A velhice não representa o fim da caminhada, mas uma etapa legítima, rica em aprendizado, transformação e crescimento interior.
Jandira
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