sexta-feira, 6 de março de 2026

Nunca é tarde para aprender um novo idioma



Ultimamente tenho vivido uma experiência muito especial: comecei a aprender inglês. Confesso que, no começo, senti um certo frio na barriga. Afinal, tenho 85 anos e pensei comigo mesma: “Será que ainda consigo aprender uma língua nova?”

Mas resolvi tentar. E foi uma das melhores decisões que tomei.

Aprender um novo idioma é como abrir uma janela dentro da nossa cabeça. A gente começa a exercitar a memória, prestar mais atenção aos sons, às palavras e aos significados. O cérebro trabalha, se movimenta, cria novos caminhos. É quase como uma ginástica para a mente.

Nas minhas aulas, percebo que cada palavra nova que aprendo me dá uma alegria enorme. Às vezes é apenas uma expressão simples, mas já me sinto vitoriosa. E o mais bonito é perceber que a nossa mente continua capaz de aprender, não importa a idade.

Muitas pessoas acreditam que, quando ficamos mais velhos, devemos parar de estudar coisas novas. Eu penso exatamente o contrário. Aprender mantém a curiosidade viva. E a curiosidade é uma chama importante dentro de nós.

Além disso, estudar uma língua estrangeira nos conecta com o mundo. Hoje, com a internet, podemos ouvir músicas, ver vídeos, ler textos e conversar com pessoas de outros lugares. É como se o mundo ficasse um pouco mais perto.

Claro que não é uma corrida. Cada pessoa tem seu ritmo. Eu mesma aprendo devagar, com calma, repetindo várias vezes. Mas isso faz parte do processo e não diminui a alegria de aprender.

Se eu pudesse dar um conselho para outras pessoas da minha idade, diria: não tenham medo de aprender algo novo. Pode ser um idioma, um instrumento musical, uma pintura ou até mexer melhor na tecnologia.

O importante é manter a mente aberta e o coração curioso.

Porque aprender, em qualquer idade, é uma forma bonita de continuar vivendo.


Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Quando a Internet Cai, a Solidão Aumenta



Esta semana eu fiquei ansiosa.

O sinal da internet caiu várias vezes. Ia e voltava. Voltava e caía de novo.

Pode parecer exagero para alguns, mas para mim não foi.

Eu senti um aperto, uma inquietação. Uma sensação de impotência.

Percebi o quanto a internet se tornou essencial na minha vida, na vida do idoso, principalmente para aquele que vive sozinho.

Antigamente, quando o telefone fixo não funcionava, a gente ainda podia esperar o carteiro, conversar com o vizinho no portão, resolver as coisas pessoalmente. Hoje, quase tudo depende de conexão.

É pela internet que converso com meus filhos e netos.
É por ela que marco exames médicos, vejo meus e-mails, pago contas, leio notícias faço minhas aulas de tecnologia, inglês e crochê e faço meu blog.

Sem internet, parece que o mundo continua girando… mas nós ficamos parados.

A vida murcha um pouco.

Não é apenas tecnologia. É vínculo. É autonomia. É independência.

Para quem vive só, a internet não é luxo, é companhia. É segurança. É presença.

Quando ela falha, não é apenas o sinal que cai. Cai também aquela sensação de estar conectado ao mundo.

Percebi que precisamos da internet, sim. Mas também precisamos aprender a lidar emocionalmente com essas pequenas “quedas” da vida moderna. Respirar fundo. Ter um plano B. Manter um livro à mão. Ter o telefone de alguém anotado no papel.

A tecnologia nos fortalece, mas nossa força não pode depender apenas dela.

Essa semana eu aprendi isso.

A internet voltou, e junto com ela, voltou a tranquilidade.

Mas ficou a reflexão: o idoso de hoje está conectado. Percebi que essa conexão é parte da nossa dignidade, da nossa autonomia e da nossa forma de existir no mundo atual.


Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Depois do Carnaval, o ano começa?



Todos os anos eu escuto a mesma frase:

“Ah, agora o ano começa de verdade.”

E essa frase sempre vem logo depois do Carnaval.

No Brasil, parece que janeiro é um mês de aquecimento. Fevereiro passa no ritmo da folia. E só depois dos confetes e serpentinas é que escolas, empresas, projetos e decisões começam a caminhar com mais firmeza. É como se o país inteiro respirasse fundo antes de realmente dar o primeiro passo.

Eu confesso que acho isso curioso.

Ele movimenta cidades, famílias e memórias. Para muitos, é um momento de descanso. Para outros, de celebração intensa. E há também quem aproveite esses dias apenas para ficar em casa, em silêncio, esperando a rotina voltar.

Mas será que precisamos mesmo esperar o Carnaval passar para começar algo novo?

Ao longo da vida, aprendi que recomeços não dependem do calendário. Não precisam de autorização coletiva. Eles nascem dentro da gente.

É claro que a organização da sociedade segue um ritmo. Escolas retomam atividades, empresas planejam metas, compromissos se alinham. Isso faz parte da estrutura do mundo em que vivemos. Mas os nossos sonhos… esses não precisam esperar o fim da festa.

Na terceira idade, então, essa reflexão se torna ainda mais importante. Quantas vezes já ouvimos: “Agora já não é mais tempo”? E eu pergunto: não é mais tempo para quem?

Se há algo que a maturidade me ensinou é que todo dia é um bom dia para começar. Pode ser começar um curso, um hobby, uma amizade, uma mudança pequena na rotina. Pode ser começar a cuidar melhor da saúde ou simplesmente começar a pensar mais em si mesma.

O ano não começa depois do Carnaval.
Ele começa quando a gente decide acordar por dentro.

Se para alguns a folia é o marco de um novo ciclo, tudo bem. Cada um encontra seus próprios símbolos. Mas eu gosto de pensar que a vida não espera datas oficiais. Ela acontece no instante em que a gente escolhe agir.

E talvez o verdadeiro começo não esteja no calendário…
mas na coragem silenciosa de dar o primeiro passo.

Jandira

Imagem: Freepik

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Belinha, o amor que late




 A importância de um animal de estimação na terceira idade

Durante dezesseis anos, tive ao meu lado uma cachorrinha que foi muito mais do que um animal de estimação. O nome dela era Belinha. Ela foi companhia nas manhãs silenciosas, presença nas tardes longas e conforto nos dias difíceis. Sua vida se misturou com a minha de uma forma tão natural que, muitas vezes, eu nem percebia o quanto ela me fazia bem. Só depois entendi: ter um animalzinho na terceira idade é um presente para o coração.

À medida que envelhecemos, a casa pode ficar mais silenciosa. Os filhos crescem, a rotina muda, os compromissos diminuem. É nesse momento que um cachorrinho ou um gatinho pode trazer uma nova luz para dentro do lar. Eles não substituem ninguém, mas preenchem espaços com carinho, movimento e alegria.

Um animal de estimação nos dá responsabilidade. Precisamos cuidar, alimentar, levar para passear, observar sua saúde. E essa responsabilidade é saudável. Ela nos mantém ativos, atentos, úteis. Há dias em que levantar da cama parece mais difícil, mas quando sabemos que há um serzinho esperando nosso cuidado, tudo ganha sentido.

Além disso, existe o afeto. O olhar de um cachorro, o ronronar de um gato no colo, a alegria quando chegamos em casa… são demonstrações de amor puro, sem cobranças, sem julgamentos. Esse tipo de amor fortalece nossa autoestima e acalma a alma.

Também acredito que o contato com um animal diminui a sensação de solidão. Mesmo quando estamos sozinhos em casa, não estamos realmente sós. Há uma presença viva ali, compartilhando o espaço e a rotina.

É claro que ter um animal exige condições físicas, emocionais e financeiras para cuidar bem dele. Não é decisão impulsiva. Mas, quando é possível, é uma experiência transformadora.

Hoje, guardo com carinho a memória da minha cachorrinha. Ela me ensinou sobre lealdade, paciência e amor incondicional. E tenho certeza de que, para muitas pessoas idosas, um animal de estimação pode ser exatamente isso: uma companhia fiel que faz bem para o corpo e, principalmente, para o coração.

Jandira

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Envelhecer não é se despedir, é se transformar



Durante muito tempo, eu mesma ouvi que envelhecer era sinônimo de perda. Perda do vigor, da autonomia, do espaço na sociedade. Com o passar dos anos, porém, fui compreendendo que essa visão é limitada e injusta. Envelhecer não é se despedir da vida, é atravessar um processo contínuo de transformação.

O corpo, naturalmente, muda. Ele já não responde da mesma forma e passa a exigir mais cuidado e atenção. Aprendi que isso não significa fraqueza, mas adaptação. Passei a respeitar meus limites, a ouvir os sinais do corpo e a entender que desacelerar também é uma forma de seguir em frente.

A mente também se transforma com o tempo. A experiência me trouxe mais clareza e discernimento. Hoje faço escolhas com mais consciência e menos ansiedade. Aprendi a não me envolver em conflitos desnecessários e a valorizar o que realmente acrescenta qualidade à minha vida. A maturidade ensina que nem tudo precisa de resposta e que a paz é, muitas vezes, a melhor decisão.

No aspecto emocional, percebo mudanças profundas e positivas. O coração se torna mais sensível e, ao mesmo tempo, mais seletivo. Dou mais valor às relações verdadeiras, às conversas sinceras e à presença genuína. As pequenas alegrias ganharam um significado especial, e aprendi que afeto não se mede pela quantidade, mas pela profundidade.

Com o passar dos anos, também compreendi que os sonhos não desaparecem, apenas se transformam. Alguns ficam para trás, outros surgem, e há aqueles que ganham novos sentidos. Hoje, meus desejos estão mais alinhados com o que me faz bem e com o que me traz serenidade.

Por isso, afirmo com convicção: envelhecer não é se despedir da vida. É vivê-la de uma forma diferente, com mais consciência, mais respeito por si mesma e mais verdade. A velhice não representa o fim da caminhada, mas uma etapa legítima, rica em aprendizado, transformação e crescimento interior.

Jandira


Imagem: Freepik

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Amizade que Viaja, Ri e Rejuvenesce



Viajar sozinha com uma amiga, já na terceira idade, foi uma dessas experiências que aquecem o coração e ficam guardadas na memória. Não foi apenas uma viagem. Foi descanso, foi riso solto, foi conversa sem pressa, foi cumplicidade. Foi a prova viva de como a amizade tem um poder enorme de nos fazer bem.

Nós duas aproveitamos tudo. Caminhamos, descansamos quando deu vontade, rimos muito, daquele riso que nasce fácil quando estamos com alguém que nos entende, que vive o mesmo tempo de vida, que não cobra, não apressa, não julga. Estar com uma amiga da mesma idade traz uma tranquilidade especial. O ritmo é parecido, os interesses se encontram, e o prazer de estar juntas fala mais alto do que qualquer roteiro.

Ter uma amiga ou um amigo para dividir aventuras, mesmo simples, é um presente. Não precisa ser uma grande viagem. Pode ser um passeio, um café, uma ida ao parque ou uma escapada de fim de semana. O que importa é a companhia, a troca, o sentir-se acompanhada nessa fase da vida.

Na terceira idade, a amizade ganha ainda mais valor. Ela nos encoraja, nos dá segurança, nos lembra que ainda podemos, e devemos, nos divertir. Envelhecer não é deixar de viver, é aprender novas formas de aproveitar a vida. E quando fazemos isso ao lado de alguém querido, tudo fica mais leve.

Essa viagem me mostrou, mais uma vez, que a alegria não tem idade. E que ter alguém para rir junto faz qualquer aventura valer a pena.

Jandira

imagem: Freepik

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As marcas que o tempo não apaga



Hoje me olhei no espelho com mais atenção. Não aquela atenção apressada do dia a dia, mas um olhar demorado, quase uma conversa silenciosa comigo mesma. Vi as rugas, sim. Elas estão ali, firmes, desenhadas ao redor dos olhos, da boca, na testa. Por um instante, pensei no tempo que passou. Mas logo entendi: não foi o tempo que deixou marcas em mim, foi a vida.

Cada ruga que carrego não nasceu do acaso. Elas surgiram porque eu ri muito, ri de verdade, até a barriga doer e os olhos se fecharem sozinhos. Vieram das conversas longas, das madrugadas em que o sono foi vencido por boas histórias, confidências e risadas sinceras.

Minhas marcas também falam de amor. Do amor que chega sem pedir licença e aperta o coração, do amor que nos faz sorrir com os olhos, do amor que transforma e deixa sinais. Falam de maternidade, de cuidado, de preocupação constante, de noites mal dormidas, de orações silenciosas e de uma alegria imensa a cada pequena vitória dos filhos.

Há rugas que nasceram das lágrimas. Das despedidas, das ausências, das perdas que a gente nunca esquece. Algumas lágrimas foram de dor, outras de saudade, outras de emoção pura diante de momentos que tocaram fundo a alma. Chorar também deixa marcas - e ainda bem.

Meu rosto guarda lembranças de sonhos tentados, de projetos que deram certo e de outros que ficaram pelo caminho. Guarda viagens, lugares que me encantaram, paisagens que me emocionaram e cantinhos que ainda moram dentro de mim.

Quando olho bem, percebo que meu rosto é um livro aberto. Cada linha é um capítulo vivido, cada marca é um sentimento que me atravessou. Apagar essas marcas seria apagar quem eu sou, minha história, minhas escolhas, meus afetos.

Hoje não pergunto mais como esconder as rugas. Pergunto o que ainda quero viver. Que novas emoções quero sentir. Que novas histórias desejo escrever na pele e no coração.

Aprendi que envelhecer não é perder beleza, é ganhar profundidade. Minhas rugas não são defeitos - são lembranças. São provas de que vivi intensamente, senti de verdade e amei com coragem.

E, da próxima vez que me olhar no espelho, não vou procurar o que o tempo levou. Vou agradecer tudo o que a vida me deu.


Jandira



Imagem: Freepik